quarta-feira, junho 22, 2011

Mulheres sem corpos

Ser dona do próprio corpo e domínio da própria vontade. Quem consegue? Em estudo, que realizei, com mulheres de baixa renda, na periferia de São Paulo, foi possível verificar, entre as participantes, o distanciamento do próprio corpo. Parecia que este não lhes pertencia, pois era domínio do outro: do pai, do namorado, do marido. O pai para exercer controle da sexualidade, o namorado para explorá-la e o marido para dominá-la. Uma das formas de exercer o controle é pela violência física, espancamento, ou psicológica através do desprezo e desqualificação. A exploração ocorre quando o homem percebe a vulnerabilidade da mulher, insegura para assumir seu desejo. Há violência também entre os casais, quando a mulher é obrigada a manter relações sexuais. Apesar da exposição do sexo e do apelo sexual, que movimenta o mercado, após os movimentos feministas, ainda temos mulheres que não podem assumir a maternidade. Negam a gravidez, afirmam que não percebem ou não sabem que esperam um filho e, quando este nasce, elas não sabem o que fazer com ele. Enlouquecem e perdem a oportunidade de exercer a maior expressão de sua humanidade - criar outro ser humano.

quinta-feira, junho 09, 2011

Visões do feminino I

"No meu tempo mulher não podia..." Quantas versões sobre comportamento e costumes já ouvimos, iniciadas por esta frase? Não podia o quê? Histórias contadas por nossas mães e avós, que nos deixam arrepiadas, pensando na dificuldade que elas tiveram para "viver a vida" em sua plenitude. Mas, o que é viver a vida? Que vida nos é dado viver?
Olhamos para nosso cotidiano e temos a impressão de que saímos do "tudo era proibido" e entramos no "tudo é permitido". Ouvimos com frequencia que a mulher é dona de seu corpo e faz com ele o que quiser. Será que o homem é, também, dono do corpo dele? Será que ele faz o que bem entender com seu copro? O que significa ser dono do próprio corpo, ou ser dono de alguma coisa? Como é não ser dona de nada, nem da própria vontade?